segunda-feira, março 12

O Polêmico caso do Sacerdócio Feminimo


Com três quartos de votos, o Sínodo de Bispos Anglicanos reunidos na Universidade de York votaram a favor de mudanças na legislação anglicana para permitir a ordenação episcopal de mulheres.

Há um tempo na Igreja Anglicana tem coexistido as duas tendências. Os anglicanos de confissão evangélica tendem a uma interpretação bíblica de base protestante. Muitos deles, são contra a ordenação de mulheres a partir da concepção de que a Bíblia proíbe às mulheres este tipo de liderança na Igreja.

Já para o ramo anglo-católico, que se posiciona a partir da visão de que os Bispos (católicos, anglicanos e ortodoxos) como herdeiros dos apóstolos e na presença real de Cristo na Eucaristia, o problema é teórico e prático. Teórico, pois, recordam que Cristo somente escolheu homens como apóstolos para sua sucessão. Nada permite pensar que também as mulheres pudessem exercer o poder de, por exemplo, ordenar sacerdotes.

Dificuldades de ser anglo-católico

Em nível prático, os anglicanos católicos vêem sua posição agora muito complicada. Se alguém cree sinceramente que uma mulher não pode ser "Bispo" ainda que o Arcebispo de Cantebury imponha as mãos sobre ela... que validez tem um sacerdote (ou sacerdotisa) ordenado por esta "Bispa"?

Muitos anglo-católicos que creem na presença real de Cristo na Eucaristia - coisa que não é um dogma para os anglicanos - e que creem que uma mulher na realidade não pode converter o Pão e o Vinho em Corpo e Sangue de Cristo simplesmente evitam missas e espécies consagradas por sacerdotisas e vão a paróquias regidas por homens.

Porém, si há "Bispas", e não aceitamos que estas realmente tenham poder para converter um homem em um sacerdote de Jesus Cristo, que fazer quando a "bispa" envia estes sacerdotes que foram ordenados por ela a nossas paróquias? Mais ainda, se um fiel anglicano viaja pelo país, como vai saber que sacerdotes foram ordenados por homens ou mulheres bispos?

Os últimos 18 anos
Em 1987 a Igreja Anglicana (Episcopal) começou a ordenar mulheres como diáconos. Passados 7 anos e acostumados - bem ou mal - os fiéis a ver as diaconisas revestidas e celebrando casamentos, batizados e funerais, se aceitou por votação de dois terços a ordenação sacerdotal. Em 12 de março de 1994 se ordenaram as primeiras 32 sacerdotisas na catedral de Bristol, cujo bispo Barry Rogerson ser o único dos maiores impulsionadores. Desde então, a Igreja da Inglaterra tem ordenado 1.200 mulheres e atualmente a metade dos aspirantes ao sacerdócio na Inglaterra são mulheres... porém 400 sacerdotes atualmente anglicanos (muitos deles com suas esposas) tem voltado ao catolicismo, e muitas das vezes com boa parte de seus fiéis.

Sabemos ainda que este assunto é uma polêmica, principalmente para a visão católica (seja ela romana ou anglicana) e alguns ramos protestantes, pois a maioria dos chamados evangélicos não enfrentam problemas com suas pastoras e bispas. Inclusive, este procedimento, bem como outros, geraram grandes divisões no mundo anglicano criando maiores barreiras para a tão sonhada unidade.

Nos, como Igreja Anglicana Tradicional do Brasil, nos posicionamos contrário à ordenação de mulheres por princípios e prudências pastorais. Contudo, nossa Diocese, em especial, tem autorização pastoral de nosso Arcebispo D. Rui para começarmos a fazer nossa experiência de ordenar mulheres.

Por isso, hoje, que comemoramos 18 anos da primeira ordenação feminina no meio anglicano, queremos valorizar e incentivar esta experiência pastoral encorajando as mulheres a se sentirem motivadas a assumirem o sacerdócio. Sabemos que o maior preconceito vem por parte das próprias mulheres que não se enxergam ministras do altar. Fazemos votos que estas e outras reflexões futuras contribuam para uma melhor saída deste problema. 


fonte: http://www.forumlibertas.com/frontend/forumlibertas/noticia.php?id_noticia=3690
Pe. Victor

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