sábado, abril 7

Páscoa: uma ambiguidade entre a cruz e a ressurreição

Estamos na chamada "Semana Santa". Contudo, "Santa" são todas as semanas, mesmo que os mais piedosos recusem de vê-la assim, já que por "santa" se compreende, conforme os latinistas, aquilo que está separado. Digo que toda semana é santa, pois o que caracteriza a dita Semana Santa é o Mistério Pascal, mistério cristão este que compreende a paixão, morte e ressurreição de Jesus, o nazareno. De que modo compreender o mistério pascal a fim de visualizar todas as semanas como santas? 

Proponho pensar o Mistério Pascal como uma grande ambiguidade cristã. Não há mistério pascal sem as duas polaridades: cruz-ressurreição. A falta de um, esquezofreniza o outro. Ressurreição sem cruz é hedonismo. Cruz sem ressurreição é masoquismo. Um deve polarizar-tensionar e ao mesmo tempo completar-dar-sentido ao outro. Esta ambiguidade vivida pelos cristão na dita Semana Santa é representada pelo processo sócio-histórico de um homem chamado Jesus, que ao certo nem se sabe se existiu. Este homem tão controverso, de qualquer modo, passou para a história e povoou os inconscientes coletivos das nações e recheou as tradições orais e religiosas de mais de dois mil anos. Alimentou esperanças, criou expectativas e até foi tronado como Filho de Deus.

Seja o que foi que este homem fizera, seja lá quem realmente ele foi, mesmo que tenha sido uma simples ideação dos imaginários populares, como os mais céticos, tal ideia passou para história e até hoje é lembrada e comemorada. Não obstante, o que mais marcou sua história de vida foi esta ambiguidade: cruz-ressurreição. Ambiguidade que levou o ocidente a criar a chamada Semana Santa. Neste sentido, o que consideramos Semana Santa foi o processo histórico de um homem que, sem mais alhures, passou pela tensão morte-vida. Ora, esta não é a tensão de todos os processos históricos? E mais esta não é tensão de toda natureza?

O grande problema de compreender o mistério pascal deste modo e de admitir que toda semana é santa é justamente o fato que o dicotomizamos. Compreendemos que a Ressurreição é um milagre  totalmente separado da cruz e que só Jesus a instaurou. O que é a ressurreição senão um simples continuar da vida independente de como ela ocorre? Jesus, por ter sido imortalizado por seus seguidores não foi ressuscitado, de algum modo, por eles? Por que temos que impor ao pobre homem de Nazaré este fardo que ele veio para morrer de modo tão cruento a fim de cumprir um propósito fanático de um deus que se alimenta de sangue, de sangue de seu próprio filho?
O Mistério pascal, portanto, não pode ser compreendido nem pela realidade da cruz isoladamente nem pela realidade da ressurreição. Mas é um entre, um movimento, um espaço vazio, um nada... É justamente este nada que separa a morte da vida, a cruz da ressurreição que compreendemos por Mistério pascal. Um vazio que preenche nossa história, que nos enche de coragem e que faz com que todas as semanas sejam tão santas como A Semana Santa.

Neste Sábado, dito religiosamente de "Sábado de Aleluia", quero convocar a todos os cristãos a fazer de sua Páscoa um verdadeiro momento pascal. Um momento de tensão entre vida e morte. Jesus, quando foi preso, o foi numa noite de páscoa por denunciar as injustiças de seu povo. Por assumir radicalmente as dores daqueles que nada podiam "pascoar". Convido a todos os cristãos e cristãs, nestes eventos pascais, principalmente os goianos, a cearmos nossa páscoa gritando contra as injustiças pelas quais passam nosso Estado nesses últimos meses. Temos visto, ultimamente, que nosso Estado é notícia nacional de tanta falta de compromisso pascal com seu povo. Infelizmente, nosso Governador Marconi Perilo tem sido um verdadeiro Judas para nós cristãos.

Façamos nossa parte como cristãos, vamos nos unir contra esse banditismo que está no poder constituído e nos movimentar para fortalecer o movimento FORA MARCONI. Vamos lutar pelo impeachment do governador e sua "cachoeirada" de bandidos no dia 14/04 a parir das 9:00h na Praça Cívica em frente ao Palácio Pedro Ludovico. Transformemos este momento que passa nosso Estado numa grande Páscoa para a libertação do povo goiano das mãos destes Faraós da lavagem de dinheiro.

Esta é a Mensagem de Páscoa que nós, Diocese Brasil Central, queremos deixar para todos os nossos irmãos e irmãs que comungam  conosco. 
Feliz Páscoa!



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